Há muitas maneiras de ler este livro profundo e luminoso, uma das obras-primas da literatura religiosa universal. Seja qual for o seu caminho, você pode deliciar-se com esta história de aventuras espirituais, com este relato de um homem que busca conhecer o significado da oração e da verdade mística e o encontra numa jornada repleta de detalhes pitorescos, de visões e daquelas curiosas reviravoltas do destino que marcam a vida de todo aspirante sincero à perfeição. Os que praticam alguma forma de mística podem ler O Caminho de um Peregrino como uma apresentação sábia e inteligente da teoria e da prática da oração de Jesus: podem aproveitar suas instruções e conselhos preciosos, regalando-se com a sutileza do modo pelo qual o livro nos franqueia o acesso aos tesouros da tradição cristã ortodoxa. Conheci hindus que, pela leitura deste livro, sentiram-se inspirados a retornar as próprias práticas, e budistas que encontraram em suas páginas a confirmação das suas próprias experiências de meditação. Mesmo que você não tenha religião alguma, pode ler O Caminho de um Peregrino como uma recordação luxuriante e luminosa da Rússia de meados do século XIX, com seus povoados e estradas de terra, suas estepes nevadas e grandes florestas virgens, com aquela profunda atmosfera de paixão religiosa que impregna a literatura russa desde as suas origens, passando pelos romances de Tolstoy e Dostoievsky, até as obras modernas de Pasternak e Solzhenitsyn. Certa vez, um amigo meu nascido na Rússia filósofo e agnóstico incorrigível, surpreendeu-me ao dizer: "Os três maiores livros escritos em russo são Guerra e Paz, O Idiota e o Caminho de um Peregrino.
(do Prefácio)